
No mês de conscientização sobre a escoliose, professor da Universidade Feevale alerta para sinais que podem passar despercebidos em crianças e adolescentes e destaca a importância do acompanhamento especializado
Durante o mês de outubro, a Sociedade Brasileira de Escoliose (SBE) promove o Rastreamento Anual da Escoliose, campanha nacional voltada à conscientização e à identificação precoce de desvios na coluna vertebral em crianças e adolescentes. A iniciativa reforça a importância de reconhecer os primeiros sinais da condição e buscar avaliação profissional, especialmente durante a fase de crescimento.
De acordo com o professor Cesar Augusto Teixeira, coordenador dos cursos de Fisioterapia e Quiropraxia da Universidade Feevale, a escoliose pode se desenvolver de maneira discreta, sem provocar dor ou limitar as atividades cotidianas. Diferenças na altura dos ombros, assimetria na cintura e alterações no alinhamento corporal estão entre os sinais que podem ser percebidos pelos pais e responsáveis.
“A escoliose merece atenção, mas não pânico. Muitas vezes, a criança ou o adolescente não sente dor e continua realizando suas atividades normalmente. Por isso, é importante que pais e responsáveis estejam atentos às mudanças na postura e procurem avaliação profissional diante de qualquer suspeita”, destaca Teixeira.
A escoliose é uma deformidade tridimensional da coluna vertebral, caracterizada por uma curvatura lateral associada à rotação das vértebras. A forma mais comum é a escoliose idiopática do adolescente, que geralmente se manifesta a partir dos 10 anos e durante a adolescência, sem uma causa única identificável. Estimativas internacionais indicam que a condição pode afetar até quatro em cada 100 adolescentes.
Como é feito o diagnóstico?
A avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico, com observação do alinhamento corporal e realização de testes específicos, como o teste de Adams, que permite identificar possíveis assimetrias do tronco. Quando indicado, também pode ser utilizado um escoliômetro para mensurar a rotação do tronco.
A confirmação e a quantificação da escoliose estrutural são realizadas por meio de radiografia da coluna vertebral, geralmente com o paciente em pé. Um dos parâmetros utilizados é o ângulo de Cobb, que permite medir a magnitude da curvatura e contribui para a definição da conduta clínica.
Segundo Teixeira, o acompanhamento é especialmente importante durante o crescimento, período em que algumas curvas podem progredir. “Não é necessário esperar o aparecimento de dor ou de uma deformidade evidente para procurar atendimento. Quanto mais cedo houver uma avaliação adequada, maiores são as possibilidades de acompanhar a evolução da curva e tomar decisões terapêuticas com segurança”, explica.
Tratamento exige avaliação individualizada
O tratamento da escoliose depende de fatores como a magnitude da curva, potencial de crescimento, risco de progressão e características individuais de cada paciente. A conduta pode incluir acompanhamento periódico, uso de colete ortopédico e exercícios fisioterapêuticos específicos. Em casos de curvas de grande magnitude ou com progressão preocupante, a avaliação cirúrgica também pode ser necessária.
O professor da Feevale ressalta a importância de diferenciar os exercícios físicos gerais dos exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose, conhecidos internacionalmente pela sigla PSSE (Physiotherapeutic Scoliosis-Specific Exercises). Essas abordagens incluem técnicas individualizadas de autocorreção tridimensional, treinamento da postura corrigida nas atividades diárias, estabilização ativa e educação do paciente. A escolha das estratégias considera o padrão da curva, a rotação do tronco, a fase de crescimento e os objetivos clínicos.
“Práticas como pilates, musculação e natação podem trazer benefícios para a saúde e condicionamento físico, mas não substituem automaticamente a fisioterapia específica para escoliose. O tratamento deve ser individualizado, com avaliação adequada e acompanhamento de um profissional com formação na área”, orienta o coordenador. Teixeira também destaca que a indicação cirúrgica, quando necessária, não significa que a fisioterapia tenha falhado. São abordagens com objetivos distintos, e a fisioterapia pode contribuir tanto para a preparação funcional antes da cirurgia quanto para a reabilitação após o procedimento.
Informação e acompanhamento fazem a diferença
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Escoliose atua na conscientização e na divulgação de informações sobre a condição e suas possibilidades de tratamento. No cenário internacional, entidades como a Scoliosis Research Society (SRS) e a Society on Scoliosis Orthopaedic and Rehabilitation Treatment (Sosort) disponibilizam recomendações e diretrizes relacionadas ao diagnóstico, ao acompanhamento e às opções terapêuticas, incluindo o tratamento conservador.
A campanha de outubro é uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre a escoliose e reforçar a importância do olhar atento de pais, responsáveis e profissionais de saúde. Identificar sinais precoces, buscar avaliação especializada e seguir um acompanhamento baseado em evidências são medidas fundamentais para orientar o tratamento.
“Na escoliose, o tempo importa, especialmente durante o crescimento. Informação de qualidade, diagnóstico precoce e acompanhamento especializado ajudam a evitar atrasos na avaliação e permitem decisões mais seguras para cada paciente”, conclui Cesar Augusto Teixeira.