Artigo publicado por aluna e professora da Feevale investiga como a relação com o clube influencia a saúde mental, os vínculos afetivos e a identidade de torcedoras
Caroline de Andrade
A relação entre futebol, identidade e saúde mental é tema de um estudo desenvolvido por uma aluna do curso de Psicologia da Universidade Feevale. O artigo “O clube das gurias: Análise das vivências de mulheres torcedoras do Sport Club Internacional”, de autoria de Caroline de Andrade, estudante da Feevale, e Cláudia Maria Teixeira Goulart, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade, foi publicado na revista Esporte e Sociedade, do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Esporte e Sociedade.
A pesquisa teve como objetivo compreender as vivências e subjetividades de mulheres torcedoras do Sport Club Internacional e analisar de que maneira a prática da torcida pode influenciar a saúde mental dessas mulheres. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa, com entrevistas semiestruturadas com cinco torcedoras residentes na região metropolitana de Porto Alegre.
Os dados foram analisados a partir de uma metodologia de análise de conteúdo. Entre os resultados encontrados, destaca-se a importância da família na construção da relação das participantes com o clube. Para as entrevistadas, o vínculo com o Internacional é, muitas vezes, construído desde a infância e transmitido entre diferentes gerações, tornando-se parte de suas histórias e identidades.
O estudo também evidencia o papel do estádio e dos espaços relacionados ao futebol na vida das torcedoras. Mais do que um local destinado a acompanhar partidas, esses ambientes são percebidos como espaços de bem-estar, convivência e construção de vínculos. As experiências compartilhadas possibilitam a criação de memórias afetivas e contribuem para o sentimento de pertencimento.
Outro aspecto identificado pela pesquisa é a relação entre a torcida e o enfrentamento de dificuldades cotidianas. Segundo os relatos analisados, acompanhar o clube pode funcionar como uma espécie de refúgio emocional, proporcionando momentos de descontração e uma pausa diante de situações de estresse e problemas vivenciados no dia a dia.
Apesar desses aspectos positivos, o estudo chama atenção para a permanência do machismo no universo do futebol. As participantes relataram situações de assédio e também experiências em que tiveram sua paixão pelo clube questionada, como se precisassem comprovar a autenticidade de seu vínculo com o time por serem mulheres.
O trabalho conclui que, apesar dos obstáculos relacionados ao machismo e às desigualdades ainda presentes no ambiente futebolístico, a experiência de torcer pode representar um espaço significativo de expressão emocional, fortalecimento de vínculos e construção da identidade.