
Trabalho discute a mercantilização da infância nas redes sociais e os desafios da proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital
O Grupo de Pesquisa Criança na Mídia da Universidade Feevale marcou presença no XI Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra, realizado entre os dias 13 e 15 de outubro. O trabalho Da infância à mercadoria no filme Salve Rosa: o vácuo de proteção e a resposta do ECA Digital frente ao sharenting, de autoria de Bruna Dill Bernardo e Pâmela Teles, sob orientação dos professores Saraí Schmidt e Ernani Mügge, foi apresentado na modalidade online por Bruna, que representou a dupla de autoras no evento internacional.
A pesquisa, realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Processos e Manifestações Culturais da Feevale, propõe uma reflexão sobre os desafios contemporâneos da proteção dos direitos das infâncias no ambiente digital, especialmente diante da crescente exposição de crianças nas redes sociais e da transformação de suas imagens e experiências em produtos de consumo. O estudo parte da análise do filme #SalveRosa (2025), dirigido por Susanna Lira, para problematizar a adultização precoce, a exploração comercial da imagem infantil e os limites da autoridade parental quando os interesses econômicos se sobrepõem aos direitos das crianças.
Um dos conceitos centrais da investigação é o sharenting, prática caracterizada pelo compartilhamento de conteúdos sobre crianças e adolescentes nas plataformas digitais por seus familiares ou responsáveis. A discussão ganha relevância quando essa exposição passa a envolver estratégias de monetização, engajamento e exploração comercial, colocando em questão os limites entre o cuidado, a responsabilidade familiar e a garantia dos direitos das infâncias.
O trabalho também analisa as possibilidades de proteção previstas no ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), discutindo as responsabilidades compartilhadas entre famílias, Estado, sociedade e plataformas digitais. A partir da trajetória da personagem Rosa, as pesquisadoras questionam como os mecanismos legais de proteção poderiam contribuir para prevenir situações de exploração e assegurar o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. A análise evidencia que a exploração digital não pode ser compreendida como uma responsabilidade exclusivamente familiar, mas como um fenômeno que envolve também os interesses econômicos das plataformas e a participação da sociedade no consumo desses conteúdos.
A participação no congresso internacional amplia a circulação das pesquisas desenvolvidas pelo Grupo Criança na Mídia, fortalecendo o diálogo entre Comunicação, Educação e Direitos Humanos. Conforme as pesquisadoras, a apresentação também evidencia a importância de produzir conhecimentos comprometidos com a defesa das infâncias, a análise crítica das práticas midiáticas e o enfrentamento das diferentes formas de exploração e violação de direitos no ambiente digital.