Sete em cada dez moradores do Vale do Sinos estão abertos ao voluntariado, mas falta de tempo é a principal barreira | Universidade Feevale

Sete em cada dez moradores do Vale do Sinos estão abertos ao voluntariado, mas falta de tempo é a principal barreira

26/10/2026 - Atualizado 15h42min

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Pesquisa da Universidade Feevale para a AMO Criança entrevistou 744 moradores de nove municípios

Uma pesquisa realizada pela Universidade Feevale para a AMO Criança mostra que o interesse da população do Vale do Sinos pelo voluntariado é alto, mas esbarra na rotina. O levantamento foi conduzido pelo Núcleo de Parcerias e Captação de Recursos da Instituição, com assessoria estatística e de análise de mercado da professora Moema Pereira Nunes. A pesquisa foi aplicada de forma anônima e online entre 8 de julho e 14 de agosto deste ano.

Entre os 744 moradores ouvidos, 68% disseram ter interesse em se voluntariar na AMO Criança. Porém, 61% afirmam não ter tempo disponível, e aqueles que o possuem, em geral, dispõem de, no máximo, quatro horas por semana. O estudo também mostra que o desejo de ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade é o que mais mobiliza os moradores a apoiar causas sociais, estando à frente do reconhecimento social, que aparece em último lugar.

A amostra foi dividida em dois grupos: Novo Hamburgo, com 405 moradores; e demais cidades, com 339 moradores (São Leopoldo, Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha, Dois Irmãos, Ivoti, Portão e Araricá, analisados em conjunto). Cada grupo atingiu o tamanho mínimo calculado para uma margem de erro de 5 pontos percentuais e um nível de confiança de 90%. Nenhum dado de identificação foi solicitado aos participantes.

O voluntariado é uma experiência comum, mas não contínua. Cerca de 7 em cada 10 entrevistados já foram voluntários em algum momento (68,9% em Novo Hamburgo e 69,3% nas demais cidades). Hoje, porém, menos de 3 em cada 10 fazem trabalho voluntário (28,9% e 28,3%). A prática cresce com a idade: entre os moradores das demais cidades com 66 anos ou mais, chega a 55%.

Os números demonstraram que o altruísmo é o que move os voluntários. Em uma escala de 1 a 5, o desejo de ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade (média de 4,2 em Novo Hamburgo e de 4,0 nas demais cidades) e a identificação com a causa lideram as motivações. O reconhecimento social ficou em último lugar em ambas as regiões.

Informação e falta de tempo são desafios para potenciais voluntários

Conforme a pesquisa, a AMO Criança é muito conhecida na cidade-sede, e menos conhecida fora dela. Em Novo Hamburgo, 92,1% dos moradores conhecem a instituição, ao menos pelo nome. Nas demais cidades, esse índice cai para 63,7%, sendo que 36,3% nunca ouviram falar dela. Entre os que conhecem a instituição, o acolhimento às famílias é o serviço mais lembrado (64,1% em Novo Hamburgo e 53,2% nas demais cidades). O apoio jurídico é o menos conhecido nas duas regiões (18,5% e 14,8%). O Instagram é a principal rede social por onde os moradores acompanham a AMO Criança.

A maior parte dos interessados respondeu “talvez, gostaria de saber mais” à pergunta sobre o interesse em dedicar tempo ao voluntariado (49,9% em Novo Hamburgo e 59,0% nas demais cidades). Entre quem tem tempo disponível, a grande maioria pode dedicar até 4 horas por semana.

Estudo auxiliará no desenvolvimento de estratégias futuras da entidade

Para a equipe responsável pela pesquisa, os resultados indicam espaço para formatos de voluntariado pontuais e de curta duração, além da necessidade de haver maior comunicação nas cidades vizinhas.

A pesquisa mostra que a população da região quer ajudar. O desafio não é a falta de disposição, mas a falta de tempo e de informação. Formatos de voluntariado mais curtos e flexíveis podem transformar esse interesse em participação”, avalia a professora Moema Pereira Nunes, responsável pela assessoria estatística e pela análise de mercado do estudo.

Romeu Strassburger, presidente da AMO Criança, demonstra gratidão pela Feevale, cujo estudo auxilia a compreender como a entidade é reconhecida pelas comunidades em que atua, especialmente por meio dos pacientes e suas famílias, como uma rede de apoio no enfrentamento do câncer infantojuvenil.

A pesquisa trouxe percepções importantes e nos ajudou a identificar onde precisamos fortalecer nossa presença, ampliando a divulgação da AMO Criança, de nossa missão e do trabalho que desenvolvemos”, destaca Strassburger.

Os resultados também revelaram aspectos relevantes que servirão de base para o aprimoramento de processos internos e para o desenvolvimento de novas estratégias de comunicação e relacionamento com a comunidade.

A realização de uma pesquisa como essa em parceria com a AMO Criança mostra o potencial da Feevale para gerar conhecimento para as organizações da nossa região, contribuindo com o desenvolvimento regional”, completa Débora Maria Engeroff, supervisora do Núcleo de Parcerias e Captação de Recursos da Universidade.

 

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